quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Legend, Marie Lu [Opinião]




Título Original: Legend
Autoria: Marie Lu
Editora: ASA — 1001 Mundos
N.º Páginas: 296


Sinopse:
Outrora conhecida como a costa ocidental dos Estados Unidos, a República é agora uma nação em guerra permanente com as vizinhas, as Colónias. Nascida numa família de elite num dos distritos mais abastados da República, June, aos quinze anos, é um prodígio militar. Obediente, entusiasmada e dedicada ao seu país, está a ser aperfeiçoada para fazer parte dos círculos mais elevados da República. Nascido num dos bairros de lata do Setor Lake da República, Day, também com quinze anos, é o criminoso mais procurado da República. Mas talvez os seus motivos não sejam tão maliciosos quanto parecem. Pertencendo a mundos muito diferentes, não há motivo algum para que os caminhos de June e Day se cruzem - até ao dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado, e Day se torna o principal suspeito. Agora, apanhado no derradeiro jogo do gato e do rato, Day corre pela sobrevivência da sua família, enquanto June tenta desesperadamente vingar a morte do irmão. Contudo, numa reviravolta chocante, os dois descobrem a verdade daquilo que verdadeiramente os levou a encontrarem-se, e a que ponto a nação de ambos está disposta a chegar para manter os seus segredos.


Opinião:
Não consigo colocar em palavras o quanto verdadeiramente gostei deste livro. A história, as personagens, os temas abordados... tudo nesta obra distópica intercala-se e mescla-se de forma perfeita de modo a criar uma narrativa singular, com o seu quê balanceado de acção e romance, amizade e vingança, num culminar explosivo de alianças e traições inesperadas. Marie Lu é exímia na sua escrita e na transparência com que aborda as emoções das personagens — o que só torna este livro ainda mais especial.

A República encontra-se em guerra aberta com as Colónias, grupos de homens e mulheres que acreditam que o governo exerce uma força demasiado poderosa relativamente aos seus habitantes — mas a República está, também, em confronto com as doenças que afectam os sectores mais pobres do seu território. Foi num desses sectores que nasceu Day, um criminoso altamente procurado que tem vindo a fazer a vida negra aos comandantes da República ao lutar por ajudar aqueles que mais precisam e que ele mais ama. No outro extremo da equação está June, uma jovem de quinze anos que é um prodígio para a sociedade — alguém de qualidades superiores que poderá exercer obediência e respeito num futuro muito próximo. Quando o caminho destas duas personagens se cruza, certezas surgem de que nada será o mesmo para nenhuma delas.

Tanto June quanto Day são, efectivamente, a força e o desespero que movem o começo desta trilogia — e um dos seus vários pontos fortes reflecte-se na dupla perspectiva oferecida, podendo assim o leitor seguir os passos de June no seu mundo de contos de fadas, e as atribulações de Day nos confins de uma sociedade em vias de destruição. Pelos títulos dos três volumes da trilogia, diria que Legend se foca mais nos conflitos de Day visto as suas acções e o seu constante desaparecimento o tornarem numa lenda, enquanto Prodigy, quem sabe, poderá deixar-se levar ligeiramente mais pela perspectiva de June — uma vez que esta é assim vista pelo seu governo e sociedade. De qualquer das formas, ambas as personagens são extremamente sólidas e desenvolvidas gradualmente, e a par com todos os acontecimentos da narrativa e com todos os conflitos gerados, Legend acaba por se transformar, inadvertidamente, num livro bastante notável dentro do seu género.

Também Tess, a companheira de crime de Day, e Metias, o irmão mais velho de June foram figuras que me surpreenderam. Tenho um carinho muito especial por este última pelo modo como a vida o forçou a tomar conta de uma criança quando ele mesmo era uma. E Tess... Tess é um porto de abrigo quente e seguro numa tempestade mortífera, mostrando uma generosidade e fidelidade impressionantes. Pelo lado negativo destaco Thomas, não por não o ter achado complexo — porque o é — mas pelo papel que acaba por desempenhar no desenrolar da história. Confesso que foi uma surpresa algo desagradável finalmente ter noção das tuas intenções, mas tal como a Comandante Jameson, nem tudo podem ser rosas num tumulto de guerras pessoais e de poder.

Sem dúvida que Legend trata-se de um começo de trilogia aliciante e envolvente, cativando e embalando o leitor numa trilha de acção que tem ainda muito para mostrar. Os capítulos finais deixam demasiado em aberto e não há como desejar que o próximo livro, Prodigy, estivesse já apostos para ser devorado. Consistente, recheado de adrenalina e acção, de momentos emocionantes e passionais, esta que é a primeira obra de Marie Lu é um definitivamente a ler para todos os amantes de mundos pós-apocalíptico e distópicos. Adorei. Absolutamente genial.

1 comentário:

Miar à chuva disse...

Quero muito ler este livro, mas só o vou ler em português depois da editora ter publicado toda a trilogia.
O que não me faltam nas estantes é trilogias ou séries incompletas. Algumas a faltar apenas o último volume :(

Bjinhos
Sandra do blogue Vidas Desfolhadas
http://vidasdesfolhadas.blogspot.pt/

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